Mercado de capitais bate recorde no 1º trimestre, mas retomada ainda é desigual, diz Anbima

O volume de ofertas no mercado doméstico atingiu R$ 180,1 bilhões no primeiro trimestre, o maior já registrado para o período desde 2012

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O mercado de capitais brasileiro iniciou 2026 em ritmo forte, com captações recordes e avanço de diferentes instrumentos de financiamento. Ainda assim, a recuperação não é homogênea e segmentos tradicionais, como o de debêntures, seguem enfrentando um ambiente mais desafiador, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 23, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). De acordo com a entidade, o volume de ofertas no mercado doméstico atingiu R$ 180,1 bilhões no primeiro trimestre, o maior já registrado para o período desde 2012. Saiba mais: Investidores aumentam no Brasil, mas renda ainda limita expansão, diz Anbima O montante representa um crescimento de 15,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e foi distribuído em 689 operações, alta de 13% na mesma base de comparação. Apenas em março, foram R$ 73,4 bilhões em 239 operações, consolidando o ritmo de expansão observado no início do ano. Mercado mais diversificado O desempenho reflete um mercado mais diversificado. Segundo Cesar Mindof, diretor da Anbima, o resultado indica “capacidade de acomodar diferentes demandas de captação”, mesmo em um ambiente de juros elevados e incertezas externas. Saiba mais: Conhecimento sobre bancos digitais quase dobra em 4 anos, indica Raio X do Investidor Brasileiro Na prática, essa diversificação aparece na força de instrumentos como fundos imobiliários, Fiagros, FIDCs e ações, que puxaram o crescimento do trimestre. Os títulos híbridos foram um dos principais destaques. As emissões de FIIs somaram R$ 20 bilhões, alta de 146,6% na comparação anual, enquanto os Fiagros alcançaram R$ 3,3 bilhões, com avanço de 97,5%. Saiba mais: Euforia na Bolsa tem nome: trade Flávio Esse desempenho recorde evidencia o papel crescente desses instrumentos como alternativa de financiamento e investimento. Na renda variável, o movimento também foi expressivo. As ofertas de ações, concentradas em follow-ons, chegaram a R$ 13,2 bilhões no trimestre, volume que já corresponde a cerca de 85% de tudo o que foi captado ao longo de 2025. Ao todo, foram quatro operações, sendo que duas responderam pela maior parte do montante, sinalizando retomada ainda concentrada, mas relevante para o mercado. Cenário misto na renda fixa Apesar do bom desempenho agregado, a renda fixa corporativa apresenta um cenário mais misto. As ofertas de renda fixa somaram R$ 143,5 bilhões entre janeiro e março, uma leve queda de 0,8% em relação ao mesmo período de 2025. Já os instrumentos híbridos, como os fundos imobiliários e os Fiagros, somaram R$ 23,4 bilhões, expansão anual de 138%. As ofertas de renda fixa somaram R$ 143,5 bilhões entre janeiro e março, uma levequeda de 0,8% em relação ao mesmo período de 2025. As emissões de debêntures somaram R$ 99,3 bilhões, com leve recuo de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, embora o número de operações tenha crescido 20,5%, chegando a 153. O aumento na quantidade indica maior pulverização das captações, mas não necessariamente expansão do volume. A composição dessas emissões também mudou. Os títulos incentivados, voltados principalmente ao financiamento de infraestrutura, passaram a representar 43,8% do total, a maior participação já registrada para o período. Além disso, houve alongamento dos prazos, com 42,8% das operações concentradas em papéis com vencimento superior a dez anos, reforçando o foco em projetos de longo prazo. No mercado secundário, a atividade seguiu aquecida, com R$ 236,1 bilhões negociados em debêntures, alta de 20,1% na comparação anual. Ainda assim, o aumento recente dos spreads indica maior percepção de risco por parte dos investidores, o que tende a encarecer novas emissões e limitar uma retomada mais robusta. Outros instrumentos de renda fixa também ganharam espaço. As notas comerciais somaram R$ 9 bilhões, com crescimento de 31,2% no volume e de 58,8% na quantidade de operações, enquanto os FIDCs atingiram R$ 21,4 bilhões, com alta de 37,8% e o maior número de emissões do período. Em contrapartida, CRIs e CRAs registraram retração, refletindo um cenário mais seletivo para esses ativos. Anbima aponta concentração em emissão pública Segundo Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, o trimestre mostrou um mercado ganhando tração em diferentes frentes, com destaque para híbridos, renda variável e instrumentos mais flexíveis, como FIDCs e notas comerciais. No mercado externo, o cenário foi mais moderado. As emissões de renda fixa somaram US$ 8,7 bilhões, queda de 27,2% em relação ao mesmo período de 2025, em meio a um ambiente global de maior aversão ao risco. A maior parte do volume foi concentrada na República, seguida por empresas e instituições financeiras. O conjunto dos dados sugere que o mercado de capitais brasileiro entrou em um novo ciclo de expansão, com maior diversidade de instrumentos e fontes de financiamento. No entanto, a recuperação ainda ocorre de forma desigual. Segmentos como ações, FIIs e securitização avançam com mais intensidade, enquanto a renda fixa corporativa tradicional, especialmente debêntures, segue condicionada ao nível de juros, à percepção de risco e ao apetite dos investidores. Assim, embora o recorde do primeiro trimestre sinalize fortalecimento do mercado, a consolidação dessa trajetória dependerá da evolução do cenário macroeconômico e da capacidade de ampliar a confiança dos investidores nos diferentes segmentos de crédito. O post Mercado de capitais bate recorde no 1º trimestre, mas retomada ainda é desigual, diz Anbima apareceu primeiro em Revista Oeste.

Fonte: Revista Oeste

FONTE: https://revistaoeste.com/economia/mercado-capitais-bate-recorde-anbima/
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