Novo ministro de Lula admite que governo atuou para derrubar relatório da CPI do Crime Organizado

Base governista articulou mudanças na comissão para garantir derrota do parecer que previa o indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral da República

Por
14 4 Min


O recém-empossado ministro de Lula, José Guimarães, confessou que o governo federal atuou diretamente para derrubar o relatório final da CPI do Crime Organizado, que acabou rejeitado nesta terça-feira, 14.  A articulação política foi confirmada pelo novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) de Lula que classificou o conteúdo do relatório como inaceitável e indicou que o Palácio do Planalto trabalhou para impedir sua aprovação. Ele assume a pasta no lugar de Gleisi Hoffmann. + Depois de manobra de governo e pressão do STF, relatório da CPI do Crime Organizado é rejeitado Senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado O parecer do relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), previa o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Dias Toffoli; Alexandre de Moraes; e Gilmar Mendes; além do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, no âmbito do Caso Master. Guimarães declarou, ao final da cerimônia de sanção do Plano Nacional de Educação no Palácio do Planalto, que seria “um absurdo uma CPI terminar sem incriminar ninguém e pedir indiciamento de três ministros, mais um PGR”.  “Isso não pode”, afirmou. “Se é para apurar tudo, que apure tudo. Não pode ser uma CPI contra o Supremo. Portanto, nós vamos atuar para derrubar o relatório, e a nossa expectativa é derrotar o relatório do relator, porque ele não serve ao país.” O relatório de Vieira enfrentou resistência tanto no governo quanto no Supremo. Ministros da Corte criticaram a iniciativa, classificando o documento como uma tentativa de pressão institucional com motivação política. Ministros reagem ao relatório da CPI Plenário do STF durante votação da prorrogação do CPMI do INSS - 26/03/2026 | Foto: Reprodução/YouTube Durante a sessão da 2ª Turma do STF, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli se manifestaram publicamente contra o teor do parecer. Gilmar defendeu a abertura de investigação por abuso de autoridade e chamou a proposta de “tacanha”.  Toffoli afirmou que o texto representa “abuso de poder” e “ameaça à democracia”. Segundo Gilmar, o relatório configura “constrangimento institucional” e “prejudica a imagem do Parlamento”. As reações também vieram de outros integrantes da Corte e de entidades ligadas ao Ministério Público, ampliando o embate institucional em torno do caso. Apesar das críticas, o relator Alessandro Vieira defendeu o conteúdo do parecer e rebateu as manifestações: “As pessoas que estão sentadas na Suprema Corte não são donas do país”. Articulação da base de Lula Nos bastidores, a base governista promoveu mudanças estratégicas na composição da comissão para garantir a rejeição do relatório. Senadores favoráveis ao parecer, como Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), foram substituídos por parlamentares alinhados ao governo, como Beto Faro (PT-BA) e Teresa Leitão (PT-PE). Com a nova configuração, aliados de Lula asseguraram maioria entre os membros titulares da CPI, incluindo nomes como Fabiano Contarato (PT-ES), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Otto Alencar (PSD-BA), o que inviabilizou a aprovação do relatório final. A rejeição do parecer encerra formalmente os trabalhos da comissão sem encaminhamento de indiciamentos, após semanas de tensão entre Congresso, governo e Judiciário. O post Novo ministro de Lula admite que governo atuou para derrubar relatório da CPI do Crime Organizado apareceu primeiro em Revista Oeste.

Fonte: Revista Oeste

FONTE: https://revistaoeste.com/politica/novo-ministro-de-lula-admite-que-governo-atuou-para-derrubar-relatorio-da-cpi-do-crime-organizado/
  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »