Dia do Amigo: psicóloga alerta para a solidão por trás das telas

Mesmo hiperconectados, muitos brasileiros enfrentam isolamento emocional que afeta a saúde mental e fragiliza vínculos reais

Por Agenor Santana
2 3 Min

Dia do Amigo: psicóloga alerta para a solidão por trás das telas
Foto: Abdur Rahman
Mesmo em um país hiperconectado, cresce entre os brasileiros um fenômeno silencioso: o isolamento emocional provocado pelo excesso de interações digitais. A psicóloga Silvia Rezende, especialista em Terapia Comportamental-Cognitiva, explica que a multiplicidade de conexões virtuais cria a impressão de que nunca estamos sozinhos — mas essa sensação é ilusória e pode fragilizar vínculos reais e afetar a saúde mental.
Segundo Silvia, a hiperconexão não garante pertencimento. “Ter centenas ou milhares de seguidores não significa ter uma rede de apoio”, afirma. Ela lembra que a Organização Mundial da Saúde já reconhece a solidão e o isolamento social como fatores de risco para o adoecimento físico e emocional. Pesquisas nacionais reforçam que o uso intenso das redes sociais pode aumentar a sensação de solidão, mesmo entre pessoas com grande número de contatos online.
A psicóloga explica que o cérebro humano foi moldado para vínculos reais, sustentados pela convivência e pela presença física. “Likes e mensagens não produzem o mesmo efeito biológico de um abraço, de um olhar direto ou de uma conversa sem distrações”, destaca. Esses encontros ativam circuitos cerebrais que promovem bem-estar, segurança emocional e redução do estresse.

Silvia ainda alerta para a confusão comum entre amizade e coleguismo. “Colegas dividem tarefas; amigos dividem a vida. Uma forma simples de identificar sua rede de apoio é imaginar para quem você ligaria em um momento de dificuldade — e quem atenderia sem hesitar”, explica.
Entre adolescentes e jovens adultos, o desafio é ainda maior. Apesar de conectados a plataformas digitais, grupos de conversa e comunidades de jogos, muitos acreditam possuir uma ampla rede de amizades. “Essas relações podem ser significativas, mas raramente substituem os benefícios emocionais da convivência presencial. Sem interação humana verdadeira, cresce a vulnerabilidade à ansiedade, ao estresse e à depressão”, afirma.
No Dia do Amigo, celebrado em 20 de julho, Silvia propõe um gesto simples: desconectar para se conectar. “Desligue o celular por algumas horas e dedique tempo a quem realmente importa. Ligue para alguém querido, marque um café, escute com atenção. A amizade é um dos maiores fatores de proteção da saúde mental e exige presença, tempo e cuidado”, conclui.

Sobre Silvia Rezende
Silvia Rezende é graduada em Pedagogia e Psicologia pela PUC-SP, com especialização em Terapia Comportamental Cognitiva em saúde mental pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPq HC FMUSP). É coordenadora técnica da Clínica de Psicologia LARES, professora do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP e psicóloga colaboradora no PROSOL – Programa de Psiquiatria Social e Cultural do IPq HC FMUSP.
 

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