‘Não houve racionalidade’, diz chanceler, sobre tarifaço dos EUA

Em pronunciamento, Mauro Vieira afirma que sobretaxa dos EUA tem motivação política e que o governo brasileiro negociou com Washington desde antes da abertura da investigação

Por
2 4 Min
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a decisão do governo Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros teve motivação política, e não econômica. O chanceler deu a declaração durante pronunciamento à imprensa nesta quinta-feira, 16. O chanceler sustentou que o Brasil negociou com autoridades norte-americanas desde antes da abertura da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos e afirmou que as justificativas apresentadas por Washington “não têm lastro na realidade”. “Não houve, portanto, racionalidade na aplicação de tarifas”, afirmou. “Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade.” https://youtu.be/qQ5ajynf8A4?si=ZF3cA0DdUHRyjtyu Segundo Vieira, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone com autoridades norte-americanas desde março de 2025, incluindo encontros em nível presidencial, ministerial e técnico. + Comissão do Senado defende negociação depois de novo tarifaço dos EUA “O Brasil está, portanto, negociando com os Estados Unidos desde antes do tarifaço original, anunciado em 2 de abril de 2025”, disse. “Após a carta do presidente Trump ao presidente Lula, de 9 de julho de 2025, as tarifas foram elevadas a 50%, por expressa motivação política, em tentativa de interferência no Poder Judiciário brasileiro.” O ministro alegou que foi justamente depois desse episódio que o governo norte-americano determinou a abertura da investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Ataques a Marco Rubio O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou Lula das redes sociais depois do anúncio do tarifaço | Foto: Aaron Schwartz/Reuters Durante o pronunciamento, o chanceler também reagiu às declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que publicou nas suas redes sociais críticas ao governo petista: “No último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise ao bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”. Nesse sentido, Mauro Vieira disse que as declarações “a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiro”: “Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo”. Exigências dos EUA Ainda durante o pronunciamento, o ministro das Relações Exteriores afirmou que o governo Lula não aceitou as condições apresentadas durante as negociações com Washington. "Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”, alegou. “Em outras palavras, exigiam uma capitulação.” https://www.youtube.com/shorts/otR82MtiDS4 O chanceler também contestou dois dos principais argumentos utilizados pelos Estados Unidos na investigação comercial: o Pix e o desmatamento. Para ele, as críticas ao sistema brasileiro de pagamentos não encontram respaldo técnico. “As alegações e declarações de autoridades americanas sobre o Pix são descabidas”, afirmou. “O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições financeiras que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix.” Em relação às acusações relacionadas ao meio ambiente, Mauro Vieira as classificou como “absurdas”. + Entenda o que é política em Oeste O post ‘Não houve racionalidade’, diz chanceler, sobre tarifaço dos EUA apareceu primeiro em Revista Oeste.

Fonte: Revista Oeste

FONTE: https://revistaoeste.com/politica/nao-houve-racionalidade-diz-chanceler-sobre-tarifaco-dos-eua/