Exposição revela o olhar de Emanoel Araujo como artista, colecionador e fundador do Museu Afro Brasil

"Afríquia: o artista como colecionador" apresenta mais de 200 obras e documentos que ajudam a compreender a formação da coleção africana do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo e as conexões entre o continente africano e o Brasil

Por MARCELA LIMA
1 5 Min

Exposição revela o olhar de Emanoel Araujo como artista, colecionador e fundador do Museu Afro Brasil
Fernando Azevedo

São Paulo, junho de 2026 – O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com gestão da Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura (AMAB), inaugura, no dia 26 de junho, a exposição "Afríquia: o artista como colecionador", com curadoria de Gabrielle Nascimento. A mostra convida o público a conhecer a coleção de arte africana do Museu a partir do olhar de seu fundador, Emanoel Araujo, revelando como suas escolhas artísticas, intelectuais e curatoriais contribuíram para a formação de um dos mais importantes acervos dedicados às culturas africanas no Brasil.

"Esta exposição parte da compreensão de que toda coleção é também uma narrativa. Ao reunir obras, documentos, fotografias e registros da trajetória de Emanoel Araujo, buscamos mostrar como seu olhar ajudou a construir não apenas uma coleção de arte africana, mas uma forma de pensar as relações entre África, diáspora e identidade afro-brasileira", destaca a curadora Gabrielle Nascimento.

Reunindo mais de 200 obras, a exposição apresenta esculturas, pinturas, máscaras, documentos, fotografias, livros, discos, tecidos e objetos tridimensionais que ajudam a compreender não apenas a construção da coleção africana do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, mas também a trajetória de Emanoel Araujo como artista, colecionador, curador e museólogo.

Composta majoritariamente por peças do próprio acervo do Museu, a mostra reúne obras tradicionais e contemporâneas, com destaque para produções da Nigéria e do Benim. O percurso expositivo evidencia as relações estabelecidas por Emanoel Araujo entre África e Brasil, revelando como referências culturais, religiosas e estéticas presentes no continente africano influenciaram sua produção artística e seu projeto museológico.

O título da exposição faz referência à série de xilogravuras Suíte Afríquia I, II e III, produzida por Emanoel Araujo em 1977 após sua participação no II Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana (FESTAC 77), realizado na Nigéria. A experiência marcou sua primeira viagem ao continente africano e teve impacto significativo tanto em sua produção artística quanto na formação inicial de sua coleção.

Mais do que apresentar objetos, a exposição propõe refletir sobre o colecionismo como uma forma de construção de narrativas. Ao acompanhar documentos, registros de aquisição, fotografias e obras reunidas ao longo de décadas, o público tem acesso a aspectos pouco conhecidos da atuação de Emanoel Araujo e às formas como ele construiu conexões entre memória, arte e diáspora africana.

A mostra também aproxima arte africana tradicional e contemporânea, reunindo desde máscaras Gelede e Egungun e esculturas de matriz iorubana até produções de artistas contemporâneos africanos incorporadas ao acervo em diferentes momentos da trajetória do Museu. A proposta evidencia a diversidade e a complexidade das produções culturais africanas, afastando leituras estereotipadas e destacando seus diálogos com a modernidade e os circuitos globais da arte.

 

Serviço

Afríquia: o artista como colecionador

Período expositivo: 26 de junho e segue até 13 de setembro de 2026

Curadoria: Gabrielle Nascimento

 

Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
Parque Ibirapuera – Portão 10 - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº

 

Horário de visitação: Terça-feira a domingo, das 10h às 17h
(Permanência até as 18h).

Ingressos: R$ 15 (inteira) | R$ 7,50 (meia-entrada)
Gratuito às quartas-feiras

Informações
www.museuafrobrasil.org.br

 

Sobre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu fundador, Emanoel Araujo (1940-2022), o museu é um espaço de história, memória e arte. Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo conserva, em cerca de 12 mil m², um acervo museológico com mais de 20 mil obras, apresentando diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiro e abordando temas como religiosidade, arte e história, a partir das contribuições da população negra para a construção da sociedade brasileira e da cultura nacional. O museu exibe parte deste acervo na exposição de longa duração e realiza exposições temporárias.


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MARCELA DE LIMA SOUZA
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