Startup capixaba de IA capta investimento com valuation de R$ 5 milhões e já opera em 20 estados

Talqui, criada por ex-executivos de XP Investimentos e Grupo Primo, desenvolve plataforma de atendimento com inteligência artificial voltada a empresas de médio e grande porte e projeta expansão nacional a partir de Linhares, no Espírito Santo

Por PEDRO SENGER
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Startup capixaba de IA capta investimento com valuation de R$ 5 milhões e já opera em 20 estados
Foto: Divulgação

Uma empresa de inteligência artificial nascida no interior do Espírito Santo chega ao mercado nacional com aporte financeiro ao valuation de R$ 5 milhões e presença ativa em 74% do território brasileiro. A Talqui, plataforma de atendimento baseada em IA, foi criada por ex-executivos do Grupo Primo Rico, XP Investimentos e Natura e já acumula mais de 100 milhões de mensagens transacionadas e mais de 85 mil contatos únicos atendidos desde o início de suas operações.

A rodada foi liderada pela Quartzo Capital em parceria com a ACE Ventures, gestoras com histórico de investimentos em empresas como Asaas, TakeEat e Housi. A startup também foi selecionada para o programa Microsoft for Startups, com acesso a US$ 100 mil em créditos e suporte tecnológico.

O modelo de negócio da Talqui aposta em um nicho historicamente mal atendido: empresas com faturamento de até R$ 10 milhões anuais que precisam de soluções robustas de atendimento ao cliente, mas encontravam no mercado apenas ferramentas importadas a preços pouco acessíveis ou, simplesmente, nenhuma alternativa viável.

"Se você tem uma empresa que fatura até R$ 10 milhões ao ano no Brasil e procura por uma solução de atendimento, muito provavelmente vai acabar contratando uma ferramenta importada, ou no pior dos casos nem contratando nada, pois o valor para isso era até então excludente. Com o ganho de escala da IA, passamos a conseguir proporcionar esse tipo de tecnologia a todos os tamanhos de empresa, a um preço justo e democrático", afirma João Miranda, CEO da Talqui.

A plataforma opera de forma integrada aos canais já utilizados pelas empresas, como WhatsApp, Instagram e Webchat. Agentes de IA assumem os atendimentos de rotina e, quando não conseguem resolver uma demanda ou quando o cliente solicita, transferem o caso para um operador humano. Nesse momento, a IA passa para o modo de observação e aprende com a resposta do atendente para situações futuras.

"É como se você tivesse um estagiário na sua equipe de atendimento que não tira folga, não fica doente e ainda tem a capacidade de lidar com qualquer volume de chamados", compara Thomaz Krause, COO da empresa.

Para o CTO Henrique Lopes, o diferencial técnico está na capacidade de aprendizado contínuo da plataforma. "Cada mensagem importa. Nossos sistemas monitoram cada atendimento de maneira não invasiva, coletando dados e aprendizado que retornam ao cérebro da IA e se transformam em conhecimento e correção para futuros atendimentos, como em uma engrenagem que aprende sozinha e se torna mais inteligente a cada mensagem", explica.

A Talqui registra crescimento mensal superior a 10% (MoM) e opera em 20 dos 27 estados brasileiros. A empresa está sediada em Linhares, no Espírito Santo, o que, segundo análise dos fundadores, traz implicações relevantes para a arrecadação fiscal do município: startups de SaaS recolhem ISS no local de emissão da nota fiscal, concentrando receita tributária em cidades do interior que historicamente dependem de commodities industriais e agropecuárias.

A Talqui foi fundada por João Miranda, desenvolvedor autodidata desde os 12 anos com passagens por XP Investimentos e pelo Grupo Primo Rico, onde liderou o desenvolvimento de plataformas como Finclass e Staage para mais de 20 milhões de usuários mensais; por Thomaz Krause, empreendedor serial com mais de 200 projetos digitais desenvolvidos e histórico como Product Manager na XP; e por Henrique Lopes, com trajetória em Natura, Grupo Primo e Bluma.

 


 

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PEDRO GABRIEL SENGER BRAGA
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