Brasil estreia na Copa tentando evitar o maior jejum de títulos de sua história

Desde o pentacampeonato de 2002, cinco países já chegaram ao topo do mundo. Agora, o Brasil tenta recuperar o protagonismo perdido

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Quando a bola rolar contra o Marrocos, neste sábado, o Brasil começará muito mais do que uma campanha em Copa do Mundo. Desde que Cafu ergueu a taça em Yokohama, no Japão, em 2002, o futebol mudou de dono cinco vezes. Itália, Espanha, Alemanha, França e Argentina chegaram ao topo. O Brasil, não. A seleção que inventou o futebol arte continua estacionada nos mesmos cinco títulos e estreia na Copa de 2026 carregando um jejum de 24 anos. Para qualquer outro país, duas décadas sem levantar a taça seriam encaradas com naturalidade. Para o Brasil, representam uma eternidade. O futebol faz parte da identidade nacional de uma maneira que poucos fenômenos culturais conseguem explicar. O país aprendeu a se enxergar através das Copas. Foi assim em 1958, quando Pelé apresentou o Brasil ao mundo. Foi assim em 1970, quando a seleção de Jairzinho, Tostão e Rivelino virou sinônimo de perfeição. Foi assim em 1994 e em 2002. Enquanto os brasileiros se acostumavam a falar do hexa como uma simples questão de tempo, o resto do mundo evoluiu. Os europeus profissionalizaram suas estruturas, aperfeiçoaram seus métodos de formação e transformaram seus campeonatos em fábricas de talentos. A Argentina atravessou crises, acumulou frustrações, mas encontrou em Messi a solução perfeita para conquistar o Mundial. O Brasil assistiu a tudo isso como um espectador desconfortável, incapaz de rivalizar com os rivais.. A passagem do tempo aparece dentro do próprio elenco. Endrick e Rayan, dois dos rostos mais promissores da nova geração, têm 19 anos. Quando Ronaldo marcou dois gols na final contra a Alemanha, em 2002, eles sequer haviam nascido. Para milhões de brasileiros da mesma idade, o último título mundial da seleção é um acontecimento histórico tão distante quanto as imagens em preto e branco das conquistas de Pelé. Essa mudança ajuda a explicar por que a esperança brasileira em 2026 tem uma cara diferente das anteriores. Pela primeira vez em muito tempo, a principal aposta do país não é o surgimento de um gênio capaz de decidir sozinho o destino de uma Copa. Vinicius Júnior está entre os melhores jogadores do mundo, mas a força desta seleção parece residir em outro lugar. O Brasil que inicia sua caminhada contra o Marrocos depende menos da inspiração individual e mais da capacidade de funcionar como um conjunto. Continua após a publicidade Isso diz muito sobre o momento atual do futebol brasileiro. O país que mais revelou craques no mundo hoje depende mais de organização do que de talento. Mais de disciplina coletiva do que de improvisação. Mais do trabalho de Carlo Ancelotti do que da aparição de um craque que resolva tudo. O italiano foi contratado justamente para isso: transformar uma coleção de bons jogadores em uma equipe capaz de competir com as grandes potências. Nada disso será resolvido contra o Marrocos. Copas do Mundo não são decididas na primeira rodada. Mas estreias costumam revelar muito sobre o tamanho das ambições de uma seleção. E a ambição do Brasil, neste momento, vai além da busca pelo hexa. Trata-se de recuperar um protagonismo perdido, de provar que a maior campeã da história ainda é capaz de ocupar o centro do palco. Publicidade

Créditos Veja

FONTE: https://veja.abril.com.br/esporte/brasil-estreia-na-copa-tentando-evitar-o-maior-jejum-de-titulos-de-sua-historia/
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