Os testes genéticos vendidos em farmácias são confiáveis? Popularização exige debate mais qualificado sobre confiabilidade

Startup do SUPERA Parque diferencia exames com base em finalidade, evidência científica e interpretação profissional

Por AIS. COMUNICAçãO E ESTRATéGIA
1 7 Min

Os testes genéticos vendidos em farmácias são confiáveis? Popularização exige debate mais qualificado sobre
Divulgação Supera Parque
Os testes genéticos são exames que analisam informações presentes no DNA para identificar variantes associadas a características biológicas, predisposições, riscos hereditários, respostas a medicamentos ou condições de saúde. Na prática, podem ter diferentes finalidades, como investigar doenças genéticas, apoiar escolhas terapêuticas, avaliar riscos familiares ou oferecer informações relacionadas à nutrição, atividade física e bem-estar.
Com a popularização desses exames, o tema ganhou espaço no debate público e na imprensa, especialmente diante da oferta de testes vendidos diretamente ao consumidor com promessas de indicar dieta ideal, treino personalizado, tendências metabólicas ou risco para diferentes doenças. 
O avanço do acesso à informação genética, porém, também trouxe uma questão central. Em meio à popularização desses exames, a dúvida não está apenas em saber se testes genéticos são confiáveis, mas em compreender como finalidade, nível de evidência e interpretação profissional influenciam a utilidade dos resultados. 

Dr. Daniel Dentillo, sócio-fundador e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da DGLab, empresa instalada no SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, e que atua com testes genéticos e relatórios voltados a profissionais de saúde, avalia que o debate precisa ser tratado com mais precisão. Segundo ele, o principal problema está em colocar sob o mesmo rótulo exames com propósitos, fundamentos e aplicações muito diferentes. 
O tema ainda aparece de forma parcial. Falta incorporar, com equilíbrio, diferentes perspectivas. O ponto mais evidente é a tendência de tratar todos os testes genéticos como se fossem equivalentes em finalidade, fundamento e aplicabilidade.
De acordo com Daniel, a generalização pode dificultar a compreensão do público, porque reúne em uma mesma categoria exames genéticos recreativos, testes de baixa utilidade prática e abordagens que podem apoiar decisões clínicas de forma mais estruturada. 
A diferença entre os tipos de exame também influencia a forma como os resultados devem ser interpretados. Um ponto relevante a ser considerado é que a predisposição genética não significa determinação. Essa distinção é especialmente importante nos testes voltados à nutrição, atividade física e bem-estar, áreas em que o debate costuma oscilar entre extremos. Variantes podem indicar tendências estatísticas ou diferenças de suscetibilidade, mas não desfechos inevitáveis. 
Sozinho, um teste genético não define a dieta ideal nem o treino ideal de uma pessoa. Tratar o resultado dessa forma seria transformar uma peça de informação como se fosse critério único de decisão. Em saúde, recomendações individualizadas dependem da combinação entre fatores biológicos, clínicos e comportamentais, sempre com interpretação de um profissional capacitado para avaliar o contexto de cada paciente”, destaca Daniel. 
 
Como saber, então, se um teste genético é confiável? 
A confiabilidade de um teste genético não está apenas na quantidade de genes analisados ou na tecnologia utilizada. Ela depende, sobretudo, da escolha das variantes que serão avaliadas, da pergunta que o exame pretende responder e da existência de estudos científicos que sustentem a relação entre essas variantes e determinado desfecho em saúde. 
Após a análise, a forma como o resultado é apresentado também interfere na qualidade do teste. Um laudo genético não deve transformar probabilidades em certezas, nem traduzir predisposições como recomendações automáticas. O processo se torna eficiente quando os achados são organizados de maneira interpretativa, possibilitando integração com histórico clínico, hábitos de vida e objetivos individuais. 
Para o especialista em genética Daniel Dentillo, o avanço desse mercado exige um debate mais qualificado, capaz de ampliar a compreensão pública sobre as diferenças entre promessa comercial, hipótese científica e aplicação responsável em contextos específicos. 
Nesse cenário, a informação é decisiva para evitar tanto a confiança excessiva em resultados apresentados como respostas prontas ou promissoras quanto o descarte genérico de ferramentas que podem contribuir para reais decisões na saúde. Mais do que responder se testes genéticos são confiáveis ou não, a discussão precisa considerar qual teste está sendo avaliado, para qual finalidade e qual nível de evidência existente.
Com atuação em genética aplicada à nutrição, ao exercício físico, ao bem-estar e a especialidades médicas, a DGLab desenvolve testes e laudos interpretativos para apoiar profissionais de saúde na leitura adequada dos resultados genéticos. A proposta é que essas informações sejam utilizadas como complemento à avaliação do paciente, considerando histórico clínico, hábitos de vida, exames laboratoriais e objetivos individuais. 
 
Sobre o SUPERA Parque
O SUPERA Parque, fruto de um convênio entre a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e a Universidade de São Paulo, possui ao todo 94 empresas instaladas, sendo 59 delas na SUPERA Incubadora de Empresas de Base Tecnológica e 35 empreendimentos distribuídos entre centros empresariais e loteamento. O Parque Tecnológico está em expansão com a urbanização de novos lotes para instalação de empresas e a construção do Health to Business Center, prédio fruto de parceria com a FINEP e que contará com laboratórios, espaços corporativos e auditório. Outras informações sobre o Parque Tecnológico estão disponíveis no site: http://superaparque.com.br/.

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
LIGIA CARLA GABRIELLI BERTO
[email protected]


  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »